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Santuário Nossa Senhora da Abadia
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Eucaristia

Relançar o Sacramento da Reconciliação

É de fundamental importância ter em vista que o Sacramento da Reconciliação renova sempre o encontro com Cristo, tan…

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A profunda crise existencial, de valores e social de nossos dias deve tornar-se para todos nós, confessores, uma ocasião fecunda para um relançamento do Sacramento da Reconciliação.

O Sacramento da Reconciliação é, talvez, o modo mais concreto e real de renovar o encontro pessoal com Jesus Cristo.

A renovação, como sabemos, depende sempre de dois fatores indissociáveis: a objetividade da ação do Espírito e a docilidade e adesão da liberdade.

Em nenhum outro lugar como no Sacramento da Reconciliação esta dualidade encontra sua síntese, sapiencialmente expressa pela Igreja, na indicação da necessidade do arrependimento para a validez da absolvição sacramental.

Qual é a necessidade do arrependimento, senão – falando em termos mais modernos – a necessidade do concurso da liberdade do homem, que acolhe e, assim, renova seu encontro com Cristo?

E, pelo contrário, o que significaria não exigir o arrependimento, senão “esmagar e humilhar” a liberdade humana, reduzindo o homem a uma unilateral interpretação mecanicista do seu agir, totalmente afastada tanto da dignidade da criação quanto da experiência existencial objetiva e cotidiana?

Cada um de nós é chamado a renovar pessoalmente o encontro com Jesus Cristo na fiel procura de sua objetiva misericórdia, que nos chega eficazmente através da absolvição sacramental.

Ao mesmo tempo, essa fecunda experiência do confessionário torna progressivamente “peritos em misericórdia” e, portanto, capazes de oferecer aos nossos irmãos com sabedoria, prudência e autêntica caridade pastoral, a possibilidade de renovar o encontro com Cristo.

É de fundamental importância ter em vista que o Sacramento da Reconciliação renova sempre de modo pessoal o encontro com Cristo, tanto dos penitentes quanto dos confessores.

A essa dimensão pessoal está ligada, como apontamos acima, a eficácia própria do Sacramento, quando se entenda como necessidade de envolvimento da liberdade do penitente.

Entretanto, sempre é possível, ou melhor, necessário, compreender a dimensão “pessoal” do Sacramento na sua dimensão relacional porque, como em nenhum outro caso, a celebração da reconciliação cristã implica uma abertura da consciência diante de Deus e do confessor, o que faz de tal Sacramento um unicum entre os sete instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo. […]

A crise existencial, de valores e social de nossos dias é, na realidade, o resultado previsível de uma crise bem mais profunda: uma crise de fé e, portanto, de identidade.

O homem pós-moderno, que riscou Deus do seu horizonte, não consegue mais saber quem é, não encontra resposta às próprias perguntas fundamentais e tenta, desesperada mas inutilmente, sufocá-las, ontem na ideologia, hoje no prazer; ontem no materialismo, hoje no sentimentalismo e na emotividade, que caracterizam tão pesadamente o agir das pessoas; ontem no compromisso social, hoje no individualismo solitário e niilista.

Esta profunda crise existencial deve tornar-se para todos nós, confessores, uma ocasião fecunda para um relançamento do Sacramento da Reconciliação, que seja uma verdadeira nova evangelização, um anúncio franco e luminoso da salvação trazida por Cristo.

Abramos por inteiro, no confessionário, os amplos horizontes da fé perante todo reducionismo desesperado; apresentemos a comunhão possível com o Emanuel, Deus conosco, para além de qualquer solidão.

Ofereçamos também a possibilidade de acolher a verdade que se oferece, para além de todo relativismo sufocante; a realidade de um amor sempre gratuitamente dado e experimentável, para além de todo egoístico individualismo.

Se formos fiéis na celebração do Sacramento da Reconciliação, veremos os nossos irmãos, que julgam estar inexoravelmente em crise, caminhar do contrassenso à verdade, do isolamento existencial à comunhão, da hostilidade ao irmão à capacidade de acolher o outro, da ilusão de uma autossuficiência tecnocientífica à realidade de uma mendicância orante, capaz, por si só, de revelar o homem ao homem.

Ser fiel ao Sacramento da Reconciliação é um dos modos mais eficazes de ser fiel ao próprio Cristo e ao seu iniludível mandato: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20, 23).

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