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Santuário Nossa Senhora da Abadia
Santuário Nossa Senhora da Abadia
Virgem Maria

A cooperação de Nossa Senhora com seu Filho

Na sequência de suas considerações sobre o Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, de S...

Capa editorial de Virgem Maria
Virgem Maria
Formação

“Deus Filho desceu ao seu seio virginal qual novo Adão no Paraíso Terrestre, para aí ter suas complacências e operar em segredo maravilhas de graça”.

Em primeiro lugar, devemos considerar a Encarnação de Deus Filho em Nossa Senhora.

Ela, pelo processo da maternidade, foi gradualmente fornecendo-Lhe sua carne e seu sangue, e assim foi sendo formado, dentro de seu seio virginal, o Corpo de Nosso Senhor, unido à divindade pela união hipostática.

A participação d’Ela no mistério da Encarnação é imensa!

Considerando que o Corpo de Nosso Senhor, sua Carne e seu Sangue, são Carne da carne e Sangue do sangue de Nossa Senhora, não se pode imaginar uma maior intimidade com Deus.

O papel de Nossa Senhora nesse mistério foi tal que Deus quis que Ela antes desse o seu consentimento, para depois dar sua carne, seu sangue e, portanto, algo de seu próprio ser.

Maria criou, governou e ofereceu Jesus em holocausto.

“[…] Encontrou sua liberdade em ser aprisionado no seio da Virgem Mãe; patenteou sua força em Se deixar levar por esta Virgem Santa […]”.

Foi vontade de Deus Pai que Nosso Senhor ficasse contido n’Ela como dentro de uma arca, de um tabernáculo, em que Ele operava maravilhas de graças só por Ela conhecidas. E foi dentro d’Ela, como no interior de um santuário, que Nosso Senhor Jesus Cristo começou a dar glória ao Pai Eterno.

No próprio momento em que começou a existir a união hipostática, Deus Pai recebeu de Nosso Senhor Jesus Cristo o mais perfeito ato de amor que jamais se deu na Terra. Ninguém nunca prestou-Lhe um ato de amor tão excelso quanto a humanidade santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O Santo mostra ainda como Jesus, que era Senhor onipotente, contido em Nossa Senhora, deixou-Se transportar por Ela, não só pelas montanhas da Judeia para visitar Santa Isabel, como por todos os lugares pelos quais Maria o quis.

Achou sua glória e a de seu Pai, escondendo seus esplendores a todas as criaturas deste mundo, para revelá-las somente a Maria.

Glorificou sua independência e majestade, dependendo desta Virgem amável, em sua conceição, em seu nascimento, em sua apresentação no Templo, em seus trinta anos de vida oculta, até a Morte, a que Ela devia assistir, para fazerem Ambos um mesmo sacrifício e para que Ele fosse imolado ao Pai Eterno com o consentimento de sua Mãe, como outrora Isaac, com o consentimento de Abraão à vontade de Deus.

Foi Ela quem O amamentou, nutriu, sustentou, criou e sacrificou por nós. Ó admirável e incompreensível dependência de um Deus!

Nossa Senhora foi incumbida de criar Nosso Senhor e de O governar em sua infância, durante a qual Ele tinha para com Ela as mesmas relações de uma criança para com sua mãe.

Pois seria falso imaginar que, na presença de outros, Nosso Senhor fazia o papel de criança; e quando não havia ninguém, apresentava-Se como Deus. Ele estava junto a Nossa Senhora sempre como Menino, do qual Ela cuidava como quem trata a um Deus.

Depois, Nosso Senhor cresceu, passando trinta anos de sua vida junto d’Ela, e consagrando aos homens somente três.

Por fim, Ela O levou até o alto da Cruz e, ali, ofereceu-O a Deus.

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