São Luís, Rei de França
Cavaleiro e religioso, patriarca e rei, seu maior título de glória é o de ter vivido sempre sob o olhar de Deus e a servi...

É difícil não se maravilhar contemplando a diversidade de figuras formadas num caleidoscópio pela luz ao atravessar alguns pedaços de vidro colorido, por ela como que transformados em cristais e pedras preciosas.
Ora, essa forma de beleza, ao mesmo tempo una e multiforme, bem pode simbolizar a riqueza de certos bem-aventurados, cujo peregrinar por esta terra desvenda aspectos de espírito tão variegados quanto a policromia apresentada por esse singelo instrumento.
São Luís IX, rei e patrono da França, é uma dessas almas fecundas em santidade sob as mais variadas facetas.
A vastidão de seus empreendimentos e a diversidade de aspectos da sua vida inspiraram um famoso escritor francês a afirmar que nele “não se sabe o que mais admirar, se os atos do cavaleiro, do religioso, do patriarca, do rei ou do homem”.
Ele pode ser considerado, antes de tudo, um homem que queria viver sob o olhar de Deus.
Raramente se viu pessoa tão compenetrada de pertencer mais ao Céu que à terra, a ponto de Joinville, seu fiel amigo e biógrafo, resumir assim a sua vida: “Este santo homem amou a Deus de todo o seu coração e O tomou como modelo em suas obras”.
Luís IX nasceu em 25 de abril de 1214, na cidade de Poissy, próxima a Paris. Era o quarto filho de Luís VIII, cognominado Leão, e de Branca de Castela.
Foi, sobretudo, desta virtuosa princesa que o santo rei recebeu os principais ensinamentos da nossa Religião: o amor a Deus e à Santíssima Virgem, o apreço pela virtude e a aversão ao mal.
Quando ela tomou em seus braços o menino logo após seu Batismo, osculou-o no peito, dizendo: “Filhinho, que agora és um templo do Espírito Santo, conserva-o sempre imaculado e jamais o manches por um pecado”.
Esta boa mãe não hesitava em repetir-lhe, com muita sinceridade, que preferia vê-lo morto a sabê-lo manchado por um pecado mortal.
Corriam serenamente os anos da educação de São Luís, quando, em 8 de novembro de 1226, voltando de uma campanha vitoriosa contra os cátaros do sul da França, Luís VIII faleceu, aos 40 anos de idade.
Além da grande dor pela perda do esposo – para Branca – e pai – para Luís –, esse acontecimento acarretava sérias consequências, pois o herdeiro do trono contava apenas 12 anos!
O rei havia manifestado aos nobres cavaleiros, reunidos em torno de seu leito mortuário, suas últimas recomendações:
Que Luís, meu filho, seja prontamente conduzido a Reims, para lá ser coroado. Que ele esteja sob os cuidados e a tutela de Branca, minha querida esposa, e que o Condestável Montmorency seja para ela um bom conselheiro.
A derradeira ordem de Luís VIII não tardou em ser cumprida: em 30 de novembro de 1226, São Luís foi coroado Rei de França.
Branca de Castela assumiu a regência e enfrentou, com energia e sagacidade, as perigosas ameaças da Inglaterra, as orgulhosas pretensões da nobreza feudal e uma nova revolta dos hereges albigenses.
Finalmente, em 1234, aos 20 anos de idade, São Luís assumiu o governo do Reino Cristianíssimo. Todavia, manteve a mãe a seu lado, numa posição de confiança e poder, continuando a mostrar-se filho obediente e respeitoso.
Foi ela quem consertou o casamento do jovem rei com Margarida de Provença, celebrado em 27 de maio de 1234. Desta união nasceram-lhes 11 filhos, aos quais o próprio São Luís encarregava-se de dar cuidadosa e esmerada educação.
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