Santa Matilde, Rainha da Germânia
Uma rainha que foi um poço de bondade e viveu para ajudar o próximo. Viúva, sofreu terríveis golpes no seio da família…

Santa Matilde era filha do Conde Dietrich de Saxe, que descendia do famoso Witikind, chefe dos saxões durante o reinado de Carlos Magno.
Seus pais educaram-na sob os olhos da avó Matilde, abadessa do mosteiro de Erfort. Ela hauriu nessa escola um gosto extraordinário pela oração e pela leitura de livros de piedade.
Tornando-se rainha, conquistou vitórias contra os húngaros e os dinamarqueses, e as conquistava também contra os inimigos da sua salvação.
Dedicava-se à oração e à meditação, a fim de se exercitar no fervor e na humildade. Esse exercício tinha para ela tal encanto que, além do tempo que dedicava a isso durante o dia, consagrava ainda boa parte da noite.
Frequentemente visitava os doentes e os aflitos, que consolava e exortava à paciência. Servia os pobres e ensinava-os a estimar um estado que Jesus Cristo escolhera e ao qual são prometidas recompensas da vida futura.
Obtinha a liberdade para os prisioneiros e, quando os direitos da justiça se opunham à liberdade deles, aliviava ao menos o peso das correntes, por abundantes esmolas.
O principal objetivo que se propunha era levar os infelizes a expiar os crimes cometidos por lágrimas e por sincera penitência.
Tinha o consolo de ver o rei, seu marido, entrar em acordo com ela e secundá-la em todos os piedosos empreendimentos.
Henrique, o caçador, seu marido, tornara-se Rei da Alemanha.
Matilde e Henrique tiveram três filhos: Otão, Henrique e Bruno.
Tinha especial predileção pelo segundo, o que constituiu a fonte de grandes males, porque, após a morte de seu esposo, desejava que ele fosse reconhecido como rei.
E havia um pretexto para preferi-lo a Otão: é que este nascera antes de o pai se tornar rei.
Otão, já designado pelo pai, venceu, de acordo com o sufrágio dos francos e dos saxônios.
Mas Henrique, que foi duque da Baviera, sempre alimentou pretensões e várias vezes se revoltou.
O terceiro, Bruno, dedicou-se aos estudos e aos serviços da Igreja e tornou-se grande Santo.
Entretanto, retirada no mosteiro de Quedlimburgo, Matilde observava rigorosa disciplina e, conservando maravilhosa dignidade nas ações e nas palavras, não deixava de possuir modéstia e pudor que a teriam feito passar por virgem, se os filhos não fossem conhecidos.
À noite, além do ofício a que assistia, rezava durante muito tempo, antes e depois.
Jamais se aproximou do altar com as mãos vazias, seja enquanto o rei era vivo, seja depois de morto. Todos os dias apresentava ao padre sua oferenda de pão e de vinho para a salvação de toda a Igreja.
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