Um verdadeiro amigo
Quem neste mundo não gostaria de ter um amigo que estivesse diariamente ao seu lado, pronto para atendê-lo a qualquer hora e em qualquer sit…

Deus, em sua infinita bondade e misericórdia para com o gênero humano, destinou para cada homem um Anjo da Guarda, que constantemente vela por cada um individualmente. Sim, é ele nosso companheiro nesta vida e na eternidade.
Entretanto, ele é um amigo discreto que, apesar de não se revelar, admoesta, ensina, ajuda, acode e inspira de muitas maneiras: ora por uma inspiração, ora por um conselho, ora por algum fenômeno natural.
Basta que estejamos atentos às suas inspirações.
“Desde o início até à morte, a vida humana é cercada por sua proteção e intercessão”
Mas, como são os Anjos?
Os Anjos são espíritos puros, inteligentes, cheios da graça divina desde o início de sua existência, na aurora da primeira manhã da Criação.
Distribuídos e ordenados por Deus em nove coros – Serafins, Querubins, Tronos, Dominações, Virtudes, Potestades, Principados, Arcanjos e Anjos –, constituem o exército da Celeste Jerusalém e receberam uma tríplice missão: perpétuos adoradores da Santíssima Trindade, executores dos divinos desígnios e protetores do gênero humano.
1. Pertencem ao quinto plano da Criação, sendo por isso superiores aos homens.
Quando foram criados, Deus infundiu-lhes o conceito das coisas universais, sem o qual eles não seriam capazes de conhecer as coisas particulares.
Para “ver” algum objeto, o Anjo aplica sua inteligência, conferindo com aquele conceito universal que já existe em seu intelecto.
Os Anjos têm o seu ser por participação no Ser divino. Eles não existem desde sempre, mas em determinado momento receberam a existência, tendo sido criados do nada.
2. Os Anjos estão organizados em uma hierarquia escalonada verticalmente, diferentemente dos homens, na qual uns dependem dos outros.
Cada Anjo é uma espécie única; por isso, quanto mais elevado é o Anjo, superiores são os conceitos infundidos por Deus.
Contudo, isso não causa tristeza ao que é inferior, porque as capacidades, apetência e glória de cada um são plenamente satisfeitas pelo próprio Criador quando entram na visão beatífica.
Não há sentimento de infelicidade, pois os superiores são motivo de admiração dos inferiores.
3. Ensina a Teologia que toda criança, no momento do nascimento, recebe de Deus um Anjo da Guarda que vela por ela desde os primeiros momentos da vida até à morte.
“Desde o início até à morte, a vida humana é cercada por sua proteção e por sua intercessão”, e São Basílio completa que “cada fiel é ladeado por um Anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida” (CEC 336).
Todavia, a nossa vida na terra bem pode ser definida como uma luta, pois viemos a este mundo para enfrentar uma existência tisnada pelo pecado e repleta de dificuldades.
Só receberemos o prêmio da bem-aventurança eterna se soubermos corresponder às graças recebidas.
4. Não há como escapar. A prova é posta no caminho de todos os seres inteligentes, até mesmo os Anjos. Contudo, como passar pela prova sem ser “reprovado”?
Além das concupiscências, há ainda o demônio que constantemente nos atormenta com suas farsas, procurando perder as almas. Como se defender?
Assim como, na grande batalha havida no Céu, São Miguel levantou o brado de guerra – “Quem como Deus?” – e dispersou do Céu a Lúcifer e todos os seus sequazes, assim também cada Anjo da Guarda afugenta Satanás e impede que sejamos arrastados.
Embora de forma invisível, ele está real e verdadeiramente presente ao nosso lado, sendo o nosso guardião nas horas de tentação ou perigo e aquele que leva as orações ao trono de Deus, como uma trombeta que amplia o som de nossas preces, purifica-as, tornando-as mais belas e agradáveis a Deus.
5. Porém, ele é discreto e quer nossa colaboração e atenção às suas inspirações.
Não são raros os casos em que os Anjos aparecem para livrar seus protegidos de grandes riscos ou confortá-los nas aflições.
Livres de um desabamento
Conta-se que São Policarpo, discípulo de São João Evangelista, viajava para a cidade de Esmirna, da qual era Bispo, juntamente com um companheiro. No caminho, foi preciso que parassem numa hospedaria a fim de descansarem da viagem.
Entretanto, no silêncio da noite, o Bispo é despertado por uma misteriosa voz que dizia que a casa ia desmoronar.
São Policarpo, sem titubear, levantou-se rapidamente, acordou seu companheiro que, não muito convencido, recusou-se a sair. Nesse momento, apareceu o Santo Anjo da Guarda de São Policarpo, ordenando que saíssem imediatamente daquele lugar.
Obedeceram e, logo que os dois se encontraram fora, desabou a casa num grande estrondo!
Que tal pensamento contribua para aumentar nossa devoção aos Santos Anjos, esses gloriosos intercessores celestes, dos quais muitas vezes nos esquecemos, e estejamos convictos de que, em qualquer necessidade e tribulação, ali estão eles para interceder por nós e levar-nos ao termo final de nossa missão.
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